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quinta-feira, 9 de junho de 2011

Quantos anos você tem?

É interessante como a vida da gente se mede numa régua de anos cronológicos. A gente sempre quer saber quantos anos uma pessoa tem. Quer saber se a pessoa é muito jovem ou velha demais pra fazer isso ou aquilo. Para namorar esta ou aquela pessoa. Pra assumir ou não uma certa responsabilidade.

Quando eu completei 36 anos, me dei de presente uma guitarra e resolvi aprender a tocar. Houve quem olhasse pra mim e me achasse uma ridícula querendo bancar a adolescente. Por acaso alguém vai dizer ao B.B. King, ao Santana, ou ao Eric Clapton que eles deveriam parar de tocar guitarra porque isso é coisa de adolescente? Me deixa tocar, ué.

A maioria dos meus amigos também passou dos 30 faz algum tempo. Mas ainda adoramos sair, beber, ouvir música, dar risada. Meus pais passaram dos 60 e ainda adoram as mesmas coisas. Tem idade pra ser feliz e aproveitar a vida?

Então fiquei pensando e percebi que sim, estou velha demais pra algumas coisas e não estou velha demais pra outras. Fiz uma lista.

Eu estou velha demais para :
  1. Aguentar gente que só fala bobeira.
  2. Perder tempo com quem não tem nada a acrescentar na minha vida.
  3. Emendar uma noite de balada na outra - Me dá preguiça.
  4. Jogar "Escravos de Jó" - Meu pobre fígado não tolera. Fora que agora as garrafas que eu compro são bem mais caras!
  5. Aguentar multidão pisando no meu pé - Não, eu não vou ao Rock in Rio.
  6. Comer porcaria - Sou fresca, gosto de comida bem feita.
  7. Fazer o que não gosto - Ah, como é boa a liberdade que vem com a independência financeira.
  8. Perder tempo! - A esta altura já deu pra perceber que a vida passa e a hora é agora.
  9. Querer que minha bunda seja perfeita - Gente, não dá. Tenho tentado, ela só fica boa :-(
Eu não estou velha demais para :
  1. Andar de skate no parque num dia de sol - Acho que tá na hora de eu comprar meu long. O aluguel subiu muito!
  2. Curtir um bom show - De rock de preferência!
  3. Sair a noite pra dançar - Isso não cansa nunca.
  4. Entrar pra uma banda - Yeah babeee!!
  5. Aprender a falar uma lingua estrangeira - Francês está nos meus planos agora.
  6. Começar uma carreira nova - Apesar de que hoje eu me preocupo em manter o que já conquistei.
  7. Viajar pelo mundo e conhecer gente interessante - Alias acho que isso não vai mudar nunca.
  8. Começar uma família.
  9. Perder tempo - Sim, eu mereço "bundar" um pouco.
Não tem idade certa pras coisas. Existe a hora da gente, certo?

Mas uma coisa sim é certa. Você fica realmente velho quando começa a ter medo de tudo e acha "inadequado" tentar o novo. Quando perde a capacidade de gostar da vida. Quando deixa que a motivação se vá. Quando perde a curiosidade. Quando deixa de se apaixonar. Quando fica fechado, rancoroso, ranzinza, mofado. E não precisa ser cronologicamente velho pra isso.

Let´s be young!

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Da ditadura do prazer e o direito a felicidade

Há um tema que tem se tornado recorrente na cabeça das pessoas que se propõe a refletir um pouco a respeito da vida, a ditadura do prazer.

Não são poucas as crônicas, artigos e livros que tenho lido e que defendem nosso direito de ficarmos tristes e melancólicos. A maioria deles responsabiliza a vida moderna por esse nosso apego à felicidade. Terça pela manha, li um destes textos do Arnaldo Jabor no site do Estadão - A alegria é um produto de mercado - em que ele afirma que "Hoje em dia é proibido sofrer. Temos de "funcionar", temos de rir, de gozar, de ser belos, magros, chiques, tesudos, em suma, temos de ter "qualidade total", como os produtos." Essa visão se parece com a de Z. Bauman que já comentei em outro post.

Giles Lipovetsky em seu livro A felicidade paradoxal, descreve o tempo atual dizendo que:
 "A vida no presente tomou o lugar das expectativas do futuro histórico e o hedonismo, o das militâncias políticas; a febre do conforto substituiu as paixões nacionalistas e os lazeres, a revolução. Sustentado pela nova religião do melhoramento contínuo das condiçoes de vida, o maior bem-estar tornou-se uma paixão de massa, o objetivo supremo das sociedades democraticas, um ideal exaltado em todas as esquinas."
Concordo com os autores, existe realmente uma ansiedade generalizada por se atingir este estado de alegria, de sucesso, de perfeição que, a meu ver, acabam tendo um efeito contrário ao da felicidade. Uma busca desenfreada pelos momentos de prazer acabam por fazer os espaços entre eles extremamente dolorosos, o que nos empurra em busca de outro momento, e mais outro, e mais outro.

Acontece que nós sabemos que a insatisfação é inerente ao ser humano. Já que não precisamos mais caçar ou arar campos para comer, sobra mais tempo para se pensar no quanto a vida é vazia e buscar maneiras de preencher este vazio. Aí o capitalismo encontrou campo fértil, como tem sido comum se colocar, mas também encontraram campo as igrejas oportunistas, os gurus, os lançadores das mais diversas modas. Tudo serve de entulho pora ser jogado no buraco da existência. Nesta perspectiva, a melancolia, como sentimento que fomenta o recolhimento e a reflexão, serve de ferramenta para o pensamento.

Não dá pra negar que a melancolia é linda de certa maneira. Muitas das coisas mais lindas criadas foram produzidas por melancólicos, deprimidos e afins. Eu mesma, que me aventuro a fazer um pouco de poesia, escrevo com mais paixão nos momentos mais dolorosos. Mas do mesmo jeito que sou contra essa busca pela perfeição, pela "qualidade total" como colocou Jabor, também sou contra essa idéia de culto à tristeza.

Primeiro, acho que poucos melancólicos fazem destes períodos momentos de reflexão que resultem em melhor compreensão da vida, fazendo dela melhor. Tem que ter talento e habilidade para entender que a tristeza pode ser usada como forma de auto-conhecimento. Segundo, a mim parece que este culto à melancolia está se convertendo num movimento contra "a opressão do mercado". Se estão todos indo para um lado, eu vou para o outro.

Não consigo entender uma vida que vá adiante sem uma alternância saudável entre os estados de alegria e de tristeza. Prefiro o otimismo patológico, mas aproveito os momentos de melancolia para aprofundar minhas análises. Melhor sermos meio mussarela, meio calabreza. Cíclicos. Porque depois que se desce, é presciso subir para não se afogar.

"A aceitação do incompleto é um chamado à vida.", escreveu lindamente Jabor. Mas, por favor, não me venha querer tirar o direito de ser feliz.

Tatiana

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110222/not_imp682684,0.php

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Quem precisa de um Futuro?

Eu. Eu preciso de um futuro. Uma idéia de. Um plano. Uma expectativa. Não sei viver sem ter algo a almejar.

Parece que tem gente que consegue viver sem isso e acho que não são muitas. Só que algumas são mais dependentes do futuro do que outras pois há quem conseguia viver melhor o hoje. Estar aqui.

A este respeito, Flavio Gikovate escreve em um texto daquele livrinho que comentei alguns posts atrás, que devemos viver a vida como um filme, e não como uma foto. Segundo ele, é equivocada a idéia que um dia atingiremos um estado estável e constante de felicidade, como se olhássemos o tempo todo para uma foto feliz querendo estar nela. E continua dizendo que cabe algum sacrifício hoje em favor do amanhã, mas que temos que aproveitar também o que estamos vivendo agora. E se o hoje está ruim, devemos tentar mudá-lo ao invés de sonhar com a chegada daquele ideal.

Faz sentido. Hora de eu guardar aquela foto na gaveta.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Ridiculos Humanos IV

Inicio de tarde de segunda feira, ela fazia compras lentamente no supermercado alheia à confusão que havia deixado para trás no escritório. Precisava respirar um pouco. Tentar não pensar em nada. Era muita pressão, muita cobrança, muita desarmonia. Sentia-se fora de eixo.

Passeava pelos corredores desviando das muitas caixas de papelão espalhadas pelos promotores que trabalhavam repondo as mercadorias vendidas durante o final de semana anterior.

Caminhava e coletava fragmentos de conversas pelos corredores.

Na seção de higiene pessoal.

“ É amor, você tem que saber que agora você não é mais uma simples auxiliar de enfermagem. Agora você é uma vendedora, entendeu? Tem responsabilidade. Um cargo. (silêncio). É. Ó, te amo, viu? Te amo. Te amo. Te amo. A gente se fala mais tarde”. Desliga o celular. “Ô véio, bora agilizar que tem todas essas caixa pra repor ainda. Aqui é o xampu, não o condicionador.”

Na seção de enlatados e conservas.

“Mano, lá é da hora. Tem várias mina gata. Mas aí, ou o cara fica muito loco ou é muito necessitado, meu, se ele desse um tempo descolava uma mina da hora, mas ele ficou lá abraçando a gorda e tals.”

“ Da hora, vou ver se colo lá domingo que vem.”

“É minha mãe fala pra mim não ir lá. Aí eu falo que não vô. Mas aí vai chegando a hora da balada e eu acabo indo.”

Na seção de leites e pães.

Um cliente com um panfleto do supermercado na mão. “Cadê o leite da oferta? Moço cadê esse leite aqui do folheto? Ah, ta. Pega uma caixa. Não pega desse azulzinho, não. Pega o integral. Esse é desnatado. É a pura água.”

Concluiu suas compras, e resolveu descer à praça de alimentação do hipermercado para almoçar antes de voltar ao escritório. Fez seu pedido e ficou esperando que sua senha aparecesse no mostrador.

Três meninos carregando caixas de engraxate entraram no complexo do hipermercado e saíram em busca de um troco entre as pessoas que almoçavam. “Moça, me paga um almoço.” “Tenho dinheiro não, moleque.” Enquanto circulavam pelas mesas, um deles encontrou uma bandeja deixada por um cliente com um pedaço de frango e algumas batatinhas, dos quais se serviu sem cerimônia.

O menorzinho dos três, que não parecia ter mais de oito anos, carregava o dinheiro do almoço e decidia olhando para os letreiros qual seria o prato dividido por eles.

Ela almoçava em silêncio, refletindo sobre seu pequeno passeio. Pensou nas pessoas cujas vidas ela havia invadido por um pequeno momento e acabou por descobrir que seja lá qual for seu próprio problema, ele é muito pequeno para o tamanho do mundo. Para o tamanho da sua própria vida.

Terminou seu almoço. Pegou suas sacolas e dirigiu-se ao carro. Sentou ao volante. Ligou o carro e resolveu voltar ao escritório. Mais tarde voltaria para casa e convidaria seu marido pra jantar.

Descobriu que era feliz, mas não sabia.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Ridículos Humanos III

Todos os dias o menino entrava pela porta da frente do onibus com uma caixa de balas em uma mão e um punhado de papeis amarrotados na outra. “Cobrador, posso passar por baixo?” “Passa, moleque.”

Todos os dias aquela senhora observava o menino entrar no onibus, distribuir seus papeis “Eu vendo bala pra ajudar minha mãe comprar alimento. Que Deus abençoe. Obrigado.”, vender alguns e sair pela porta de trás já de olho no onibus que vinha atrás. As vezes ela comprava algumas balas. As vezes não. Mas sempre observava o menino. Observava o olhar um tanto duro daquele menino que nao devia ter mais de 10 anos.

Pensou em chamar o menino e contar-lhe uma estória. Uma estória fantástica, cheia de heróis e aventuras. Imaginou a criança brotando nele de novo. Imaginou-se ajudando a criar um homem bom para o mundo.

“Tia, qué bala?”

“Hoje não querido. Hoje não.”

Nunca mais pegou aquela linha de ônibus.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Just Let Go

Estava tentando traduzir a expressão que dá título a este post. Let go. Pensei em expressões similares como "Abra mão", "Deixe ir", "Deixe partir". Ela acaba sempre dando uma ideia de desprendimento, de deixar que algo se afaste e vá, ou mesmo que você se entregue a algo como em Let yourself go. Não, este post não é uma aulinha sobre expressões idiomáticas. O que me interessa em Let go é justo essa idéia do desprendimento.

Pense, "Abra mão", "Deixe ir", "Deixe partir"", "Entregue-se". Muitas vezes só de pensar no que elas representam já dá medo. Como é que a gente abre mão de algo? Como é que a gente deixa algo ou alguém partir, como é que a gente se entrega? A questão é que essa expressãozinha em inglês sintetiza o medo da gente de mudar. A gente tem um apego tão grande às coisas que é assustador.

Ser parte de algo, preservar algo ou a relação com alguém são coisas boas. Cultivar a memória, eu acho bom e importante. Mas olhe para os seus outros apegos.

Quando foi a ultima vez que você trocou de corte de cabelo?
Quando foi a ultima vez que você pediu um sabor diferente de pizza?
Você já conseguiu se livrar daquele vestido velho de 10 anos atrás que você achava que um dia ainda ia usar?
Você diz querer que seus filhos cresçam e sejam independentes, mas parou de controlar cada passo que eles dão com medo de perder seu lugar na vida deles?
Você está se sentindo mal no emprego que tem, mas está disposto a passar pelo estresse que é ter que aprender tudo de novo?
Você deixou de se aventurar em alguma situação com medo de parecer ridículo?
Quantas vezes você olhou pra trás cheio de saudosismo e disse, "Ah, naquele tempo..."

E o apego às emoções? Esse pra mim é o pior. A gente chega mesmo a ser viciado em certas emoções ou sentimentos, não sei qual seria o melhor termo, mas e o apego ao medo, ao ciume, à raiva, à baixa auto-estima... Você está se defendendo de que? E o apego aquele "amor" que você sente pelo mundo? Um mundo pelo qual você dedica tudo, mas de quem não recebe nada em troca? Coitado de você! Eu conheço uma pessoa assim, e dá dó ver como ela se escraviza.

Eu estou falando pra você que é errado ter raizes e referências? Que a gente tem que sair por aí vivendo loucamente e experimentando de tudo? Não, afinal a gente é a soma do que viveu, a gente precisa de uma noção de quem é.

A questão é, você está vivendo onde? Neste mundo ou no passado? Ou num mundo que você criou pra se proteger? Você está ganhando o que com isso? O que você vai contar para os seus netos?

Avalie os seus apegos, abra espaço para emoções novas, abra -se para o novo, nem que seja pra poder dizer que é da pizza de mussarela mesmo que você gosta.

Dê-se a chance. Just let go.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

About Julie & Julia

Este final de semana assisti o filme Julie e Julia. O filme, dirigido por Nora Ephron traz Meryl Streep e Amy Adams nos papéis de Julia Child e Julie Powell. Segundo diz a sinopse, o filme é baseado em duas histórias reais. Ele conta a história de duas mulheres que em períodos e lugares diferentes, encontram na culinária uma das suas grandes motivações na vida. O site do filme o classifica como um filme sobre amor, esperança e inspiração.

Amei o filme. Amei especialmente por ver a história de duas pessoas vivendo uma paixão. Não só paixão amorosa - ambas eram muito bem casadas - mas paixão por algo. Julie, a mais jovem, chegando aos 30anos, se vê naquela tipica crise do, "caramba o que eu fiz até agora?" . Aquela crise que quem tem mais de 30 anos conhece bem, quando você não tem mais a desculpa da juventude pra justificar seus fracassos e a vida adulta se tornou irrevogável.

Para lidar com esse período e encontrar uma motivação na vida, Julie resolve fazer duas coisas que ama, cozinhar e escrever. No caso ela se propõe um desafio : fazer todas as receitas do livro de culinária de Julia Child em um ano, e escrever a respeito disto em um blog. É bem legal.

Eu que estou a três anos de chegar aos 40 (ai que medo me dá este número), fiquei pensando. Será que estas crises passam, pra começo de conversa, ou a gente tem uma a cada década? Depois fiquei aqui me questionando onde está aquele entusiasmo das personagens por algo? Se eu quisesse me propor um desafio como o das personagens do filme, qual seria?

Enfim, o que me ficou na cabeça foi, quantas pessoas são realmente capazes de dizer do que gostam? Quantas pessoas conhecem tão bem o que as faria pular da cama da manhã cheias de entusiasmo? O que eu vejo ao redor são as pessoas cumprindo tarefas que não as preenche verdadeiramente. A gente até gosta do trabalho às vezes, como as bem sucedidas amigas de Julie no filme, mas muitas vezes a satisfação que as pessoas conseguem em um emprego cessa com o contrato de trabalho. E aí?

Minha questão é, você sabe do que é feito? Você sabe onde fica o pote de ouro no fim do seu arco-iris? Já parou pra analisar suas motivações e o por que você faz as coisas como faz?

Talvez seja hora de levantar estas questões. As histórias do filme são reais. Can you do as well?

Boa reflexão.

P.S. o filme é puro e delicioso entretenimento e parece que já está disponivel em DVD. Basta googar o titulo pra saber mais.

domingo, 28 de março de 2010

Ansiedade

De repente parece que você está jogando futebol em Quito, o ar rarefeito, o coração disparado. Ao mesmo tempo, uma eletricidade roda pelo corpo. Você não consegue ficar sentado, a cabeça a mil, difícil de se concentrar. Você precisa fazer alguma coisa. Precisa falar, correr, mas se vê impedido. Uma angústia grande te consome. Você fica irritado. Briga, chora.

Muitos são os males modernos. Ansiedade é um deles.

A ansiedade nasceu para ser um sinal de alerta e nos preparar para uma possivel situação de perigo e tomar atitudes necessárias para lidar com a ameaça. Mas isso é na biologia!

A psicóloga Olga Tessari, explica em seu site que ansiedade é gerada pelo choque de exigencias conflitantes, pela mania de perfeição, por não querer magoar os outros, por medo das críticas, medo de errar, por preocupações excessivas entre outras coisas. Os disturbios de Ansiedade passam pela ansiedade generalizada, ansiedade induzida por drogas ou por problemas médicos, disturbio do pânico, disturbios fóbicos e transtorno obsessivo compulsivo.

Segundo o Dr Antonio Egidio Nardi, no disturbio de ansiedade generalizada a ansiedade e a preocupação são intensas e de dificil controle, desproporcionais à situação e podem ser sobre as mais diversas questões como saúde, dinheiro, relacionamentos...

Por que eu estou escrevendo sobre isso? Porque sempre fui ansiosa, e as pessoas sempre me olharam de cara feia por isso, "ai como você é irriquieta, não consegue ficar parada". Como se eu não quisesse ficar parada, olhando para o nada, despreocupada. E como é dificil controlar seu ataque. Se ela vem acompanhada de um medo, de repente eu choro e ponto, ligo pra alguém que gosta de mim pra me acalmar.

No trabalho acontecem umas ansiedades boas até. Um monte de energia aplicada num trabalho que me dava prazer me ajudou a passar pela primeira fase de uma separação muito dificil.

Tenho andado num momento de extrema ansiedade. Ansiedade causada por um medo decorrente de uma situação de incerteza e por me sentir impedida de expressar sentimentos. Tem sido extremamente doloroso.

Mas assim é. A gente vai tentando lidar. Terapia, atividade física, acupuntura, meditação. chorar, gritar. Tentar controlar as reações às fontes de ansiedade. Se seu caso demandar, medicação também. Nunca foi meu caso.

Ansiosos do mundo, canalizai toda esta energia, ou ela vos consumirá, e do ladinho dela, te espera a depressão. Isto se ela já não estiver instalada.

Mas aí o problema fica para outro post.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Enforcada nas cordas da Liberdade

Acabei de ler um texto muito bacana da jornalista Eliane Brum no site da revista Época. Nele, Eliane conta sobre a expectativa que está passando ao decidir deixar uma vida certa e segura para se aventurar em seu sonho de escrever. Adorei a expressão que ela usou de que decidiu se " enforcar nas cordas da liberdade".

No texto Eliane traduz sua liberdade como ter tempo. Tempo para fazer o que quiser, quando quiser. Sim, ter tempo é um sonho de liberdade. Tempo para aproveitar a vida, fazer o que gosta, estar com quem se ama. Ela fala também sobre a realização de um sonho. Um sonho de infância traduzido na escrivanhinha Xerife que comprou e que parece ser o pré-requisito necessário para tornar-se escritora.


A gente acha que vai ser livre se tiver tempo. Se tiver dinheiro. Se sair daquele emprego sufocante. Se largar aquele relacionamento que já não dá certo. Se sair debaixo das asas dos pais. Se viajar o mundo. Se comprar uma motocicleta. Se for para a praia surfar todos os finais de semana.

Liberdade. Que palavrinha mais interessante. Todo mundo a deseja, mas pouca gente sabe o que realmente ela significa, no que implica, ou sequer está preparado para ela. Não, eu também não sei o que é essa tal de liberdade. Tenho minhas teorias e traduções para ela, mas ainda não cheguei ao meu formato final. Nem acho que este formato exista, ou seja fixo. Já me senti muito livre estando presa no emprego, num relacionamento, nos horários. E muito presa estando livre, também.

Achei o texto da Eliane Brum gostoso de ler. Me deu vontade de revisitar minhas coisas e colocar tudo o que é velho de lado. Me fez começar a pensar no que EU traduzo como liberdade. Porque no final. O que a gente acha é o que conta.

Tatiana

O texto completo chamado "Escrivaninha Xerife" está disponível no site da Revista Época

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Um pouco do Amor em Bauman

Estou lendo atualmente Vida para Consumo de Zygmunt Bauman. Muito interessante o livro. Ele descreve como em nossa sociedade de consumo, o homem também virou mercadoria. Não vou entrar aqui em detalhes a respeito das idéias que cobrem áreas tão diversas quanto trabalho, relações humanas, mercado de consumo, e por aí vai.

O que me interessa aqui é a perspectiva que ele coloca do amor e da dificuldade que as pessoas tem em investir em relacionamentos na sociedade atual. As pessoas esperam obter em suas relações pessoais o mesmo tipo de satisfação obtida em suas relações de consumo e uma vez que o "objeto de consumo" torna-se imperfeito ou não plenamente satisfatório, este é rejeitado e substituido.

Segundo ele "A criação de um relacionamento bom e duradouro, em total oposição à busca de prazer por meio de objetos de consumo, exige um esforço enorme." E cita Ivan Klima, que compara o Amor a uma obra de arte,

é a criação de uma obra de arte... Isso também exige imaginação, concentração total, a combinação de todos os aspectos da personalidade humana, sacrifício pessoal por parte do artista e liberdade absoluta. Mas acima de tudo, tal como se dá com a criação artistica, o amor exige ação, ou seja, atividades e comportamentos não-rotineiros, assim como uma atenção constante à natureza intrinseca do parceiro, o esforço de compreender sua individualidade, além de respeito. E, por fim, ele precisa de tolerância, da consciênscia de que não deve impor suas perspectivas ou opiniões ao companheiro ou atrapalhar sua felicidade.

Faz a gente pensar, não?

Eu não acho que a gente deva ficar em uma relação em que é infeliz, mas que eu vejo muita gente desistindo logo na primeira dificuldade, isso vejo.

Agora, se você leu isto tudo, e tudo o que conseguiu pensar foi que, justamente seu parceiro não te enxerga, seu parceiro não quer ficar com você, seu parceiro não te respeita, não faz nada destas coisas bonitas nas palavras de Ivan Klima, é porque certamente VOCÊ, leva com este parceiro (ou parceira), uma relação utilitária.

Dê o primeiro passo, talvez você seja capaz de ser mais feliz também.

Tati Sister

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Eu achava que sabia

Eu achava que sabia tudo. Achava que sabia o que era preciso pra um relacionamento ser feliz. Descobri que não sei tudo, e isso não é ruim. We live we learn. We love we learn. Ja cantava Alanis Morriseti.

Eu achava que o amor era tudo, que bastava ele existir, mas o que aprendi é que não basta amar, é preciso saber amar. E isso implica em ser feliz com a felicidade do outro, implica em tolerancia, em cuidado com o ser amado. Se a felicidade do outro não traz felicidade, se não há cuidado com aquele nosso bem mais precioso, não acredito que seja amor.

É preciso dialogo também, e isso não quer dizer só pronunciar palavras, mas sim conseguir abrir os ouvidos, porque a gente se fecha em nossas posições, só escuta o que é capaz ou quer ouvir.

É importante saber calar na hora certa.

É preciso saber perdoar. Ao outro e a si mesmo.

É preciso saber que do outro lado tem um ser humano. Que também tem fraquezas, erra, mas também acerta e pode estar com a razão.

É preciso sonhar com um futuro juntos.

É preciso conseguir viver o presente com alegria.

É preciso admirar a pessoa amada.

É preciso manter a sedução acesa pra gente não virar parente.

E acima de tudo, é preciso amar a si mesmo. Quem não ama a si mesmo, coloca no outro o peso de amar por duas pessoas e culpa o outro por não ser capaz de fazê-lo feliz. E isso é desumano.

I'm human and I need to be loved. Just like everybody else does. (The Smiths)

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Da força humana

Estava aqui pensando. Quantas vezes a gente ouve alguém dizer que admira alguém pela sua força. Pelas suas realizações. Pelas suas conquistas. Cheguei até a comentar sobre isso no meu post de ano novo. Até que, de repente, olho ao meu redor e algumas pessoas muito próximas, e posso dizer bastante comuns, resolvem fazer coisas que certas pessoas julgariam um feito inatingível para elas.

A primeira foi minha mãe, que cinquentona, gordinha e sedentária resolveu que iria fazer o Caminho de Santiago de Compostela. Pra quem não conhece, sabe aquela peregrinação do Paulo Coelho no livro Diário de um Mago? Pois este mesmo. Eis que a minha mama resolveu ir. Ela nunca tinha viajado ao exterior, não fala nenhuma lingua estrangeira, nunca fez nada sem seu marido, mas disse que ia, e foi! Foram 2 meses de ausência da minha mama pequenina caminhando pelo norte da Espanha. Um monte de gente não acreditou, não apoiou, mas ela fez sua caminhada. Forte?

Outra é uma grande amiga, Luciana, que recentemente cruzou o Canal da Mancha. Um ano de treinos exaustivos, 20 quilos perdidos, uma tentativa fracassada, 12 horas de agua gelada. Tornou-se a sexta mulher brasileira na história a completar a travessia. Era uma aparente loucura, podia ter morrido de hipotermia, mas resolveu ir, e foi. Forte?

Essas duas mulheres, não são mais fortes que as outras pessoas. As duas voltaram com suas experiências, com a mudança trazida pela vivência que tiveram, mas em outros aspectos continuam as mesmas. Com suas inseguranças, seus medos, seus hábitos, sua rotina. Voltaram ao trabalho e a vida continua. Não, não estou dizendo que não fizeram nada de mais. Fizeram sim, e muito! Apesar de seus medos, elas nao se dobraram a eles, nem às opiniões contrarias, nem às aparentes adversidades. Elas simplesmente fizeram o que quiseram, quando quiseram, do jeito que quiseram.

Ser capaz de vencer os próprios medos e ter opinião própria é o que faz estas duas pessoas "fortes". Não é preciso caminhar 30 dias ou nadar 12 horas, o esforço delas demandou resistência física, mas demandou um esforço psicológico sem o qual não teriam cumprido seus objetivos.

Por isso, não se desaponte se você nunca tiver um feito que entre pra algum livro de recordes. Seu monte Everest, seu grande desafio pode ser simplesmente ser capaz de manter suas opiniões. Ter coragem de agir de acordo com seus princípios. Ou fazer algo que gosta. Se você for capaz de entrar sozinha na aula de dança de salão, apesar da vergonha. Parabéns! Se você for capaz de não abaixar a cabeça pra tudo o que diz o seu chefe se for algo com que você discorda. Parabéns! Se você tiver coragem de aos 45 anos finalmente ir fazer aquele curso de psicologia que você sempre quis, apesar de uma estável carreira como advogado. Parabéns!

Saiba, o esforço é tão grande quanto os treinos exaustivos da minha amiga Luciana. Mas você pode sim encher a boca e falar com orgulho. Eu fiz.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Elástica


E qual seria então a suprema forma da liberdade se
mal nos permitimos pensar livremente?

É sair por aí, pela estrada, vivendo aventuras?
É não se apegar a ninguém?
É encher a cara e curtir a noite na balada?
É ir vender água de coco em alguma praia do nordeste?
São só disfarces.
A suprema liberdade, pra mim, seria o SER, que não se dobra ao medo e suas chantagens.

Toda chantagem é criminosa.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Da Ditadura do Querer

"Você sabe o que quer? Como assim? Não sabe? Como você acha que vai chegar a algum lugar? Você tem que decidir o que quer!"
Desde cedo a gente aprende que a gente tem que ter objetivo na vida,"O que você vai ser quando crescer?" as mães perguntam pros filhos de 5 anos. Ai a gente começa a crescer um tiquinho e aprende que as pessoas mais bem sucedidas são as que sabem o que querem. Colocam toda a sua energia naquilo e realizam. São vencedores.
Faz algum sentido, mas não faz todo.
Não quero dizer que as pessoas devam viver ao sabor da maré, mas que elas não tem que ser escravas dos "quereres", dos objetivos, das certezas. Aliás a maioria das vezes não é a gente que quer alguma coisa, são as outras pessoas que decidem o que a gente quer. Sei não. Quantas pessoas frustradas não ficam no caminho? Tantos as que não realizam quanto as que atingem seus objetivos, realizam seus desejos.
Meu pai outro dia me disse "a posse é a morte do desejo". Sim, você deseja algo, com toda a sua força, a partir do momento que consegue o que quer, o desejo morre. Aí você fica sem objetivo e tem que ir em busca de um outro querer. É uma eterna corrida.
Certezas? Quem consegue ter alguma? Quem consegue ter uma vida linear, em que seus interesses são sempre os mesmos? Não mudam nunca? Que tédio.
Eu não quero TER que querer nada, só quero estar com quem gosto, onde gosto, fazendo o que gosto.
Utópico?

Tati

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Da Sanidade

Ontem aconteceu uma situação engraçada e que me fez pensar sobre essa coisa toda da loucura. Tive uma briga daquelas com meu love, gritaria, ofensas, coisas jogadas, portas batidas e muito choro. Um momento de total falta de controle, falta de racionalidade. Mas do mesmo jeito que nos descabelamos, acabamos em beijos e prometendo que tudo ia ser diferente dali pra frente e nada daquilo ia acontecer de novo. Pelo menos até a proxima briga. Mas enfim, após esses momentos pós estresse, nada como um pouco da serotonina fornecida por uma dose cavalar de açúcar. Um Top Sundae do Mc Donald's que foi premiado com uma dose extra de calda de caramelo, porque afinal não era aquele o sabor que eu tinha pedido, foi a vítima. Domingão quente, não tinhamos onde sentar e acabamos sentando numa muretinha do lado de fora do restaurante.

Felizes e contentes saboreávamos nosso manjar, quando um desses mendigos meio doidos se aproximou de nós com uma pasta amarela e um monte de folhas de sulfite na mão. Ele nos estendeu uma delas onde estava escrita aquela mensagem clássica do tipo, "Estou pedindo dinheiro". Mas esse mendigo não era comum. Primeiro, em sua mensagem ele se identificou por "Meu nome é Fulano de Tal, sou filho de Fulana e estou pedindo dinheiro." Ou seja era um doido com nome e sobrenome e que tinha mãe. Como haviamos saido sem bolsa, só com o dinheiro do sorvete, "ficamos devendo". O engraçado é que ele, alheio a nossas explicações, rabiscava com uma caneta Bic preta numa de suas folhas de sulfite. Terminado seu trabalho e pouco preocupado com o dinheiro, ele me estendeu a folha com um desenho. Não era um desenho de uma pessoa abobada. Era o desenho de um vaso com 4 flores Miró style. Fiquei olhando pra ele e agradeci pelo trabalho que sugeri que ele assinasse. Ele se recusou e disse que não precisava assinar não. Depois fiquei pensando se ele sabia escrever mesmo.

O que me pareceu curioso foi a criatividade de nosso amigo da pasta amarela, e a sua aparente satisfação de presentear as pessoas com seus desenhos. Ele, claro, estava sujo e fedia, mas suas folhas de sulfite estavam impecavelmente limpas e sem nenhum amassado. Seu semblante era tranquilo e após ter entregue seu trabalho, ele nos deixou e sumiu, simplesmente sumiu.

A gente vive lutando pra manter a sanidade, vai fazer terapia, yoga, meditação, ginástica, lê "O segredo". Mas a grande maioria das pessoas vive no limiar da loucura, basta ver as reações dos motoristas no transito, em uma fila que não anda ou numa briga de casal. Outro dia mesmo, eu estava no shopping numa fila, e de repente BUM! Um homem atirou seu celular no chão despedaçando o pobrezinho, e simplesmente saiu andando. Deve ter sido uma briga de casal porque uma mulher saiu atrás do tal homem. Mas ninguém ouviu nada, viu nada. Em outra ocasião parada no transito da marginal Tietê, vi um homem sair de seu carro e simplesmente acertar um soco na cara da motorista (sim era mulher) do carro de trás.

Eu não estou falando de pai que joga o filho pela janela, nada de extremo, estou falando de situações normais, de pessoas que trabalham com a gente, vivem com a gente, mas que num momento de fúria são capazes de agredir, ofender, arriscar a própria vida. Enquanto isso, nosso amigo doido, distribui suas flores de papel em troca de umas moedas ou simplesmente pelo prazer de dividir seu "trabalho".

Acho que está na hora de repensarmos nossos conceitos e preconceitos.

Tati

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

O Ano é Novo de Novo

E o ano é novo de novo.

Me assustei nas ultimas semanas ao me dar conta que, sim, 2008 estava no fim. 2008 que começou cheio de esperança, foi um ano de novos caminhos, decepções, um fim dificil, mas acabou cheio de determinação e renovação das esperanças. Como sempre.

Esperança é um sentimento engraçado. Até irracional eu acho. Mas sem o qual a gente não consegue viver. O homem vive na esperança do recomeço, na esperança de que tudo agora vai dar certo, que o sofrimento acabou. A gente sabe que não acaba, mas a gente tem esperança. Interiormente sabemos que o verão não dura pra sempre, da mesma forma que não dura o inverno, mas ainda assim esperamos vir a ser como aqueles passaros que migram para o sul no inverno do hemisfério norte, ou dormir na época de privações como os ursos. Seria bom podermos migrar do tempo de sofrimento para a felicidade sem fim? Parece uma ideia atraente, mas eu duvido que o ser humano conseguisse viver assim. Gente é um bicho estranho, vê beleza na dor. É um prazer masoquista, recompensado pelo alivio do fim do sofrimento. Pelo menos por um tempo.

Tudo o que eu sei é que parar de sofrer é uma decisão das mais dificeis na vida de uma pessoa. A pessoa está gorda e deprimida, com baixa auto-estima, pressão alta, mas não faz dieta. A mulher apanha do marido, mas não larga o desgraçado por medo da solidão. O emprego tá uma droga, você se sente pisado e diminuido pelo chefe, ou pelos colegas, ou não tem satisfação no que faz, mas não procura alternativas porque o mercado tá dificil, os salarios são baixos... É uma tal inércia, mas vem o ano novo e você renova a esperança de mudar isso e segue vivendo. Uma minoria das pessoas consegue fazer o que se propôs, e são admiradas pela sua "força". Já a maioria vai deixando pra amanhã, até que o final do ano se aproxime e quando ela estiver perdendo a energia, vai pular sete ondas e se recarregar de novo.

Eu também tenho esperanças pra esse ano. Espero passar para o time dor "fortes", fazer com que a vida volte a ter um ciclo de altos e baixos no mínimo iguais, não só, ou predominantemente, baixos. Eu espero voltar a viver em harmonia comigo mesma, e com as pessoas que eu amo. Eu espero não mais me entregar à chantagem do medo. Do medo da velhice, do medo da solidão, do medo da falta de amor. Eu espero perder a barriga, também!

Seja lá o que for a coisa que você tiver se prometido, não deixe pro próximo ano. O tempo está passando rápido demais pra gente deixar que o inverno prevaleça.

Este texto é de mim para mim mesma.

Tati

P.S. só pra explicar, as aspas nas palavras força e forte, são porque eu não acho que sejam tal coisa, pra mim a tal de força neste caso chama-se vontade.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Te proponho

Te proponho um amor incomum. Um amor de noites quentes, mesmo que frias. Um amor inspirado de poesia, fotografia e musica. Um amor de discussões violentas e pazes ardentes.
Te proponho vivamos mais dias de sol e noites enluaradas. Que escutemos o barulho do mar batendo na praia mais noites e acordemos cedo com os passaros, só pra agradecer ao sol e voltar a dormir.Te proponho que assistamos mais filmes, leiamos mais livros e travemos mais debates "meio intelectuais, meio de esquerda". Que comamos mais calorias e façamos mais esportes.
Te proponho o que dá na telha.Te proponho que nos critiquemos sem piedade, e nos apoiemos em todos os momentos. Que tenhamos coragem de deixar de ser egoistas e medrosos. Te proponho viver com carinho. Te proponho viver como se fosse pra sempre, por que a gente corre o risco que seja. Mas nem por isso adiar nada. Te proponho que não nos arrependamos do que arriscamos até aqui, e se chegamos até aqui, que valha a pena o que está por vir. Te proponho que vivamos a vida, sabendo que ela acaba e nossa paralisia frente ao medo só nos tem feito perder o pouco tempo que resta.Te proponho vivamos com menos medo do futuro ou do fim, pra que se um dia ele chegar, tenhamos nos dado a chance de ser felizes e não fiquemos tristes por não ter vivido o que queriamos.

Tati

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

De O Guardador de Rebanhos - Alberto Caeiro

XLV

Um renque de árvores lá longe, lá para a encosta.
Mas o que é um renque de árvores? Há árvores apenas.
Renque e o plural árvores não são cousas, são nomes.
Tristes das almas humanas, que põem tudo em ordem,
Que traçam linhas de cousa a cousa,
Que põem letreiros com nomes nas árvores absolutamente reais,
E desenham paralelos de latitude e longitude
Sobre a própria terra inocente e mais verde e florida do que isso!

XLII

Passou a diligência pela estrada, e foi-se;
E a estrada não ficou mais bela, nem sequer mais feia.
Assim é a acção humana pelo mundo fora.
Nada tiramos e nada pomos; passamos e esquecemos;
E o sol é sempre pontual todos os dias.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Ridículos Humanos I

“ Oi, amor.” Um beijo.
“ Oi.”
“ Tudo bem?”
“ Tudo...”
“ Nossa que entusiasmo...”
“ A gente precisa conversar.”
“ Sobre?”
“ Sobre nós.”
“ Sobre nós? Por quê? Algum problema?”
“ Por quê? Você não quer conversar?” Ironia.
“ Como assim, não quero conversar? Você nem me falou sobre o que quer falar!”
“ É, você sempre evita as nossas conversas.”
“ To aqui, ué! Fala!”
“ Tenho pensado muito.”
“ Sei.”
“ E acho que não dá pra continuar.”
“ Que conversa é essa?”
“ É, não confio em você. Eu sei que você mente pra mim.”
“ Minto sobre o quê? O que foi agora?” irritação
“ A gente ta conversando, já vai se descontrolar?”
“ Tô de boca fechada, basta você me explicar que papo é esse!”
“ É isso, eu não confio em você e eu preciso confiar pra me entregar na relação. Mas não adianta falar que você não entende!”
“ Não entendo mesmo!”
“ Você me esconde coisas! Eu sei a verdade!”
“ Verdade? Mas que verdade? Pelo amor de Deus!”
“ Você ta me traindo!”
“ Tá louca? Eu te traindo? A gente ta junto o tempo todo!”
“ Não adianta mentir, ela me disse?”
“ Ela quem, ser humano?”
“ Minha taróloga!”
“ Pronto! Era o que me faltava!”
“ Ela não erra nunca, e analisando bem seu comportamento recente, esse seu descontrole, tá claro que ela tá certa!”
“ Como você quer que eu não me descontrole? Você julga quem eu sou por conta de cada coisa! Por quê você tem tanta dificuldade em aceitar o simples fato de que eu te amo?”
“ Não usa essa frase, é muito forte...”
“Ah, cala a boca!”
“ Nossa como você é grosso! Vai começar a gritar comigo agora? Vai perder o respeito?”
“ Ah, tá! Você é a pessoa mais indicada no mundo pra falar em respeito. Tá certo!”
“ Você sempre faz as coisas pra me afrontar!”
“ O quê?”
“ É isso mesmo! Por quê você não pára de falar com seu melhor amigo? Eu sei que ele não gosta de mim! Eu te peço, e ainda assim, você faz o quê? Vai jogar bola com ele!”
“ Eu jogo bola tem 12 anos, como eu posso fazer isso pra te afrontar?”
“ Não é possível que não seja pra me afrontar!”
“ Sem comentários.”
“ E eu até sei quem é a vagabunda.”
“ Que vagabunda?”
“ Você tá me escutando?”
“ Ah é, esqueci que eu te traio!”
“ Ah! Ta irônico, é? Eu vi as mensagens no seu orkut!”
“ Meu amor, pode ter certeza de que se eu fosse te trair, não ficaria anunciado no orkut!”
“ Tá vendo como você é mal intencionado? Já até sabe o que fazer?”
“ Mulher, você tá com algum problema?”
“ Você é o meu problema! Suas mentiras, seu egoísmo, essa droga do seu cachorro que engravidou a minha Vidinha! Eu não tenho mais amigos, nem emprego! Não agüento mais! Pensa que eu não sei que você me acha gorda?”
“ Tá de TPM?”
“ Tô!” chorosa.
“ Quer um chocolate?”
“ Quero um Talento verde.”
“ Tá aqui, pronto. Te amo cabeçuda.”
“Eu também te amo.”
E viveram felizes por mais 3 semanas.
(Tati Sister)

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

A PAZ

O que é Paz? Lá no link http://pt.wikipedia.org/wiki/Paz você acha isso aqui.
"Paz é geralmente definida como um estado de calma ou tranquilidade, uma ausência de perturbações ou agitação. Derivada do latim Pax = Absentia Belli, pode referir-se à ausência de violência ou guerra. Neste sentido, a paz entre nações, e dentro delas, é o objectivo assumido de muitas organizações, designadamente a ONU.
No plano pessoal, paz designa um estado de espírito isento de ira, desconfiança e de um modo geral todos os sentimentos negativos. Assim, ela é desejada por cada pessoa para si próprio e, eventualmente, para os outros, ao ponto de se ter tornado uma frequente saudação (que a paz esteja contigo) e um objetivo de vida. A paz é mundialmente representada pelo pombo."

Ora, se ela é desejada por todos, onde podemos encontrá-la? Onde mora a Paz ? Ah, a Paz mora em muitos lugares, nenhum fora de nós. Sempre existe uma porção de Paz do lado de dentro. Mas acontece que nossa Paz é envolta por uma membrana permeável. Há pessoas, lugares, imagens, ações que carregam em si uma Paz que ultrapassa essa membrana e faz a nossa crescer. Infelizmente ocorre o mesmo no sentido contrário. Há aquelas coisas que tiram a nossa Paz.
E como você pode obter esse tal estado de espírito isento de ira, desconfiança e de todos os sentimentos negativos? Bom, comece eliminando da sua vida as coisas que tiram a sua Paz. As coisas que te causam sentimentos ruins, como a raiva, a mentira, a opressão. Assim como a tão almejada Paz, as emoções negras também moram em você, mas podem e devem ser expulsas como inquilinos indesejados. Depois vá mudando a porosidade da membrana da sua Paz, até que a sua nunca se perca ou se reduza, só se alimente e alimente a dos outros. Até que você seja luz. Até que você seja um com Deus. Natural.
(...)
Sejamos simples e calmos
Como os regatos e as árvores
(...)